A pergunta - «O que é um bom blogue?» - dificilmente pode obter uma resposta universalizável, tal a heterogeneidade permitida pelo meio e, em consequência, a diversidade de critérios de avaliação dos blogues.
Por mim, proponho estes critérios, que são os meus, para avaliar da qualidade de um blogue:
1) Um bom blogue implica uma ideia prévia – uma concepção e um «programa» - do meio e de como explorá-lo para os fins perseguidos pelo bloguista. O bom blogue é pois aquele que faz aquilo que nenhum outro blogue ainda fizera, ainda que num nicho localizado e para um micropúblico. Por outras palavras, o bom blogue implica uma ideia de assinatura, que por vezes se manifesta em coisas tão aparentemente pontuais, ou rituais, como títulos de secções ou categorias de um blogue.
2) Um bom blogue é aquele que não se confunde com um jornal, uma revista, um diário ou qualquer outro meio, por mais semelhantes que se possam parecer com o suporte digital.
3) O bom blogue é aquele que nos ensina alguma coisa sobre o mundo. Porque nos apresenta realidades e objectos novos, porque desloca perspectivas estabilizadas e rotineiras, porque nos conta todas as infindáveis histórias desconhecidas de que se tece a nossa história geral e comum.
4) Um bom blogue é aquele cujo autor se relaciona com ele em regime de obsessão. Por outras palavras, o bloguista nunca está de férias: é um autor a tempo inteiro e daí a exaustão que, cedo ou tarde, se apodera dele e o leva a descontinuar o blogue. Identicamente, o bom blogue é aquele de que nos tornamos leitores compulsivos e a tempo inteiro.
5) Finalmente, o bom blogue é aquele que pressupõe uma ideia de escrita. Não se trata necessariamente de «escrever bem» (embora possa passar por aí: veja-se o caso de Pedro Mexia) de acordo com uma versão canónica da adequação da escrita aos propósitos do autor, mas sim de conseguir dar um cunho performativo à escrita, de acordo com os fins do blogue. O que é mais típico dos blogues, desse ponto de vista, é uma exuberância de registos, com privilégio dos informais ou mais próximos de uma oralidade que funciona como um ideal político, antes que retórico, da blogosfera: nesta, todos conversaríamos livremente, sem as limitações e prescrições de normas de socialização que são, sempre, normas de interdição. Claro que se trata de um ideal e de uma ilusão; e claro que há muita má escrita disfarçada de exuberância. Mas essas são as regras do jogo na blogosfera.
Resta dizer que há seguramente bons blogues fora destes critérios. O meu problema é que esses blogues não me interessam, enquanto leitor e visitante regular. A que acresce um outro problema: por mais que o desejemos, nunca conseguimos ser leitores fiéis senão de uma meia dúzia de blogues. Neste caso, pelo menos, a fidelidade parece ser uma pré-condição do leitor de blogues, sob pena de ele nunca conseguir passar de um visitante em trânsito. Um turista acidental.
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